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A minha história com o esporte começa bem antes
de conhecer e praticar formalmente o basquete como esporte de
competição. Tive uma infância muito divertida, livre, brinquei
muito no quintal da minha casa onde havia muitas árvores,
brinquedos que meu pai construía como gangorra, balanço, gira-gira
e também na rua onde morava que era bem tranqüila e onde morava a
grande maioria dos meus amigos, crianças de idades diversas mas
próximas, meninos e meninas. Lembro-me que existiam temporadas de
brincadeiras típicas como bolinha de gude, andar de carrinho de
rolimã, de bicicleta, taco, esconde-esconde, duro-mole, pega-pega,
queimada, jogos com bola, amarelinha, apostar corrida e tantas
outras... Toda essa vivência de brincadeiras e jogos me permitiu
desenvolver inúmeras habilidades com o corpo, com as mãos e com os
pés, correr, saltar, lançar, agarrar, equilibrar, esquivar etc. de
forma muito natural, isso contribui muito quando resolvi praticar
algumas modalidades esportivas. |
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Estudei em uma escola pública onde não havia
infra-estrutura nem material adequado para as aulas de Educação
Física, e as atividades se resumiam a praticar ginásticas e a jogar
queimada, por isso, meu primeiro contato com atividades esportivas
ocorreu quando construíram um centro esportivo da Prefeitura de São
Paulo perto da minha casa. Me inscrevi no atletismo, no vôlei e no
basquete, modalidade que já havia me fisgado durante os Jogos
Olímpicos de Moscou.
A abertura dos Jogos Olímpicos de Moscou me
emocionou muito e acompanhar a participação dos atletas brasileiros
foi a primeira sementinha de um sonho que se tornou realidade anos
mais tarde. A minha grande inspiração foi a Seleção Brasileira
Masculina de Basquete, geração de Oscar, Marcel, Carioquinha,
Marquinhos e Cia, pois ainda não conhecia a Seleção Feminina de
Basquete que não se classificou para essa Olimpíada e suas grandes
estrelas, Hortência e Paula. Acompanhava os jogos da Seleção
Brasileira e admirava o jogo do Marcel, adorava ver as jogadas que
ele fazia e, a cada cesta convertida, a cada bola recuperada, ver a
sua comemoração com um tapinha na mão dos companheiros de
equipe.
Nessa época, comecei a brincar no quintal de casa em uma cesta
improvisada com o suporte de um vaso de flores da minha mãe preso
ao tronco de um pé de manga que havia no quintal. Eu e mais um
amigo e uma amiga brincávamos como se estivéssemos disputando uma
Olimpíada representando o Brasil, jogando contra as seleções dos
outros países. Criamos um jogo com algumas das regras que
conseguimos aprender assistindo aos jogos pela TV e outras que
inventamos. O jogo era mais ou menos assim, nós três representando
o Brasil (eu era o Marcel, aliás, quando comecei a jogar
profissionalmente, escolhi a camisa número 11 em homenagem à ele.
Minha amiga era o Oscar e meu amigo o Carioquinha) contra uma
seleção imaginária de algum outro país (de preferência EUA e URSS,
grandes potências esportivas e econômicas), só podíamos tentar
acertar a cesta através de arremessos de média ou longa distância,
nunca através de arremessos do tipo bandeja e nem de perto. Só
podíamos arremessar depois de trocar no mínimo três passes bonitos,
que chamávamos de efeito (por trás do corpo, de costas, por entre
as pernas, no ar). Quando acertávamos a cesta era ponto para o
Brasil, quando errávamos era ponto para o outro país. Estipulávamos
um número X de pontos e a equipe que atingisse esses pontos
primeiro, vencia o jogo. Às vezes estipulávamos um tempo e usávamos
um despertador para marcar o final da partida, que poderia terminar
empatada e, quando isso acontecia, jogávamos mais um tempo de
prorrogação. Confesso que, quando perdíamos um jogo, levávamos a
disputa para melhor de 3 e acabávamos vencendo, rs...
| 3) Quais os clubes que jogou? Centro Olímpico do Ibirapuera – São
Paulo
Minercal – Sorocaba Arisco – Sorocaba Constecca – Sorocaba Leite Moça – Sorocaba Cesp-Unimep – Piracicaba Nossa Caixa – Ponte-Preta – Campinas Seara – Paulínia Data-Control – Americana Arcor – Santo André AA Guaru - Guarulhos |
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Quando comecei a treinar no centro esportivo do
bairro onde morava, meu maior desejo era realizar um jogo com
alguma equipe de outro centro esportivo ou escola. Seis meses
depois, após passar por uma seletiva, já estava treinando no Centro
Olímpico do Ibirapuera e um ano mais tarde tive meu primeiro
contato com a Seleção Brasileira Feminina de Basquete que estava
disputando o Campeonato Mundial que aconteceu em São Paulo e
treinava no Centro Olímpico. Fiquei mais apaixonada ainda pelo
basquete vendo as jogadas perfeitas da Hortência e encantada com a
leveza e a magia das jogadas da Paula, além da garra da Branca, da
eficiência e dedicação da Vânia Teixeira, Marta e Cia. A partir
daí, estabeleci o objetivo de vestir a camisa da Seleção Brasileira
e representar o Brasil.
Quando treinava no Centro Olímpico o técnico da
equipe Minercal, de Sorocaba, me viu treinando e me convidou para
ir jogar na sua equipe. Ele já havia sido técnico da Seleção
Brasileira Feminina. Fiquei muito feliz com o convite, mas tinha 14
anos e teria de convencer os meus pais para poder ir morar em outra
cidade, como não havia equipe profissional de basquete feminino
aqui na capital, eles permitiram, mas deixaram bem claro que minha
primeira obrigação era com os estudos e que só poderia continuar
jogando se dedicasse à escola também.
Já nesta época, treinava e jogava com a equipe da minha categoria e
também na equipe adulta. Dois anos mais tarde, eles contrataram a
jogadora Hortência e outras grandes jogadoras e tive a oportunidade
de aprender e evoluir muito mais e também conquistar os primeiros
títulos importantes: Campeonato Paulista, Brasileiro, Jogos Abertos
do Interior.
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6) Qual a emoção que você sentiu ao ser convocada para a
Seleção Brasileira? Foi de muita alegria, pelo trabalho reconhecido,
pelo esforço, dedicação e empenho recompensados, e por um objetivo
alcançado. 7) Qual a fase mais marcante da sua carreira? Eu considero todo o período em que joguei na
cidade de Sorocaba, pois foi nessa época em que aconteceram minhas
primeiras convocações para as seleções Paulista (infanto e juvenil)
e Brasileira (juvenil e adulta) e também de conquista dos primeiros
títulos importantes. |
Foi o Panamericano em Cuba, pois foi o primeiro
título internacional importante dessa geração. Foi uma conquista
sobre 2 das 3 principais potências do basquete feminino mundial,
EUA e Cuba. E ainda mais, na presença do presidente Fidel Castro,
de quem tivemos a honra de receber a medalha de ouro.
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Num primeiro momento, principalmente quando você é muito jovem, jogar ao lado dos seus ídolos, com quem você conhecia apenas pela TV ou das arquibancadas, é sempre um desafio, existe a admiração, a emoção que precisam ser administradas, pois podem até atrapalhar o seu desempenho. Em relação à Hortência, tive a sorte e o privilégio de, dois anos após vê-la pela primeira vez, junto com a Seleção Brasileira no Centro Olímpico, estar jogando ao lado dela em Sorocaba e aprender muito, pois ela sempre foi muito exigente, perfeccionista. |
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Com a Paula, foi um pouco diferente, pois éramos
adversárias nos clubes, eu em Sorocaba e ela em Piracicaba, mas eu
tinha a incumbência de marcá-la sempre, o que era uma
responsabilidade muito grande e me obrigava a me dedicar muito aos
treinos e a conhecer muito bem o seu jogo, suas principais
características, seus pontos fortes (que eram muitos) e também seus
pontos fracos (que eram poucos). Quanto à Janeth, temos quase a
mesma idade, portanto, joguei contra e com ela desde as categorias
de base.
Tenho consciência da importância e do papel de
cada jogador dentro de uma equipe. Assumir as suas
responsabilidades e desempenhar bem as suas funções, em um esporte
coletivo é essencial para o sucesso da equipe. Então, neste
sentido, fazer bem o meu papel contribuiu para que a Hortência
pudesse fazer bem o dela.

Como em qualquer outra área, para se ter um bom
desempenho é necessário muito trabalho, dedicação, seriedade,
abdicação, respeito, planejamento. Para se tornar um atleta de
sucesso é necessário tudo isso e mais uma combinação de outros
fatores como o domínio de habilidades e competências específicas e
das múltiplas inteligências (cinestésico-corporal, espacial,
lógico-matemática, linguística, emocional, interpessoal e
intrapessoal) além de estar preparado no momento em que a
oportunidade aparece.
Segui meus estudos normalmente enquanto jogava,
isso exigia muita organização e força de vontade, pois muitas vezes
viajava e ficava treinando e jogando com o clube ou com a Seleção
Brasileira por algumas semanas e até meses. Como minha vida estava
muito relacionada ao esporte, à prática de atividade física,
resolvi conhecer mais sobre a preparação física a que éramos
submetidas para podermos treinar e jogar em alto nível de
rendimento. Meu foco era o treinamento esportivo, pois pretendia
atuar posteriormente como técnica de basquete ou preparadora
física.

Estou no Colégio Magister há um ano e meio e
atuar como coordenadora do Departamento de Esportes tem sido um
desafio a cada dia. Estamos com uma proposta nova em 2009, com
propósitos bem diferenciados para a Unidade Júnior (que é o
desenvolvimento global do aluno, que envolve o desenvolvimento de
competências relacionadas ao domínio psicomotor, mas também o
sócio-afetivo e o cognitivo, através de ativiades diversificadas
desde o 1º até o 5º ano) e para a Unidade Sabará (que além do
desenvolvimento global do aluno tem como objetivo a formação de
seleções, femininas e masculinas nas diversas modalidades que o
colégio oferece como basquete, futsal, handebol e vôlei).
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O esporte teve um papel muito significativo na
minha vida, me possibilitou conhecer e saber lidar com diversas
situações relacionadas à sua prática, a enfrentar desafios, medos,
inseguranças, a dominar ansiedade, tensão, alegria, raiva,
tristeza, a reconhecer e aprender com os acertos e erros, vitórias
e derrotas, a valorizar as conquistas pessoais e dos adversários, a
valorizar e respeitar todas as pessoas que fizeram parte da minha
trajetória, desde quem cuidava da água ou dos uniformes até o
técnico ou chefe de delegação. Pude conhecer muitos lugares do
Brasil e do mundo, mas principalmente pude conhecer pessoas, fazer
amigos, que tenho até hoje. |
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O esporte pode ser uma grande oportunidade de
aprendizado, de crescimento, de vivenciar emoções e sentimentos
diversos em uma mesma partida, treino ou campeonato. O esporte faz
parte da cultura de muitos países e está muito presente na nossa
cultura, por isso, conhecê-lo, questioná-lo, valorizá-lo,
praticá-lo ou reinventá-lo deve fazer parte da nossa formação
cidadã.
15) O que você espera dos alunos que agora
compõem a Seleção dos melhores jogadores do Magister?
Espero que possam vivenciar muitas situações que
proporcionem aprendizado, crescimento, alegrias. Assim como espero
muito empenho, dedicação, seriedade, ética, respeito nos
treinamentos e jogos do Colégio Magister.
Bem-vindo a
Colegio Magister
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