Justificativa:
Sabendo que a Educação Infantil é a primeira etapa da educação básica, temos como objetivo geral do curso o desenvolvimento integral da criança nos aspectos físico, emocional, afetivo, cognitivo e social, por acreditar que estes desenvolvimentos favorecem o acesso à aquisição de conhecimentos futuros que serão estabelecidos.
Nosso trabalho é todo baseado no Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil que se constitui em um conjunto de referências e orientações pedagógicas que visam a contribuir com práticas educativas de qualidade que promovem e ampliam as condições necessárias para o total desenvolvimento de crianças de 0 a 5 anos de idade.
● Aspecto físico – em concepções abrangentes os cuidados são compreendidos como aqueles referentes à proteção, saúde e alimentação, incluindo as necessidades de afeto, interação, estimulação, segurança e brincadeira que possibilitem a exploração e a descoberta.
● Aspecto emocionais – o desenvolvimento emocional da criança pequena está todo envolvido com a afetividade do desenvolvimento de uma pedagogia relacional, baseada exclusivamente no estabelecimento de relações pessoais intensas entre o educador e o educando. Não existe aprendizagem sem afetividade.
● Aspecto cognitivos – o desenvolvimento cognitivo está ligado ao desenvolvimento das estruturas do pensamento, da capacidade de formar conceitos e raciocinar, de aprendizagens de experiências diárias.
Compreender, conhecer e reconhecer o jeito particular das crianças serem e estarem no mundo é o grande desafio da Educação Infantil e de todos os profissionais envolvidos.
Educar, portanto, significa propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural.
Com todo este processo, a educação auxilia no desenvolvimento das capacidades de apropriação e conhecimentos das potencialidades corporais, afetivas, emocionais, nas perspectivas de contribuir para a formação de crianças felizes e saudáveis.
Os objetivos explicitam intenções educativas e estabelecem capacidades que as crianças poderão desenvolver como consequências de ações intencionais.
A pratica da educação infantil deve se organizar de modo que as crianças desenvolvam as seguintes capacidades:
● brincar, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades;
● utilizar as diferentes linguagens (corporal, musical, plástica, oral e escrita) ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender e ser compreendido, expressar suas ideias, sentimentos, necessidades e desejos e avançar no seu processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva;
● conhecer algumas manifestações culturais, demonstrando atitudes de interesse, respeito e participação frente a elas e valorizando a diversidade.
CRIANÇAS DE UM A TRÊS ANOS (B2 - MINIMATERNAL – MATERNAL)
Logo que aprende a andar, a criança parece tão encantada com sua nova capacidade que se diverte em locomover-se de um lado para o outro, sem uma finalidade específica. O exercício dessa capacidade, somado ao progressivo amadurecimento do sistema nervoso, propicia o aperfeiçoamento do andar, que se torna cada vez seguro e estável, desdobrando-se nos atos de correr, pular e suas variantes.
A grande independência que andar propicia na exploração do espaço é acompanhada também por uma maior disponibilidade das mãos: a criança dessa idade é aquela que não para, mexe em tudo, explora e pesquisa.
Ao mesmo tempo em que explora, aprende gradualmente a adequar seus gestos e movimentos às suas intenções e às demandas da realidade. Gestos como o de pegar um lápis para marcar um papel, embora ainda não muito seguros, são exemplos dos progressos no plano da gestualidade instrumental. O fato de manipular objetos que tenham um uso cultural bem definido não significa que a manipulação se restrinja a esse uso, já que o caráter expressivo do movimento ainda predomina. Assim, se a criança dessa idade pode pegar uma xícara para beber água, pode também pegá-la simplesmente para brincar, explorando as várias possibilidades de seu gesto.
Outro aspecto da dimensão expressiva do ato motor é o desenvolvimento dos gestos simbólicos, tanto aqueles ligados ao faz-de-conta quanto os que possuem uma função indicativa, como apontar, dar tchau, etc. No faz-de-conta podem observar situações em que as crianças revivem uma cena recorrendo somente aos seus gestos, por exemplo, quando, colocando os braços na posição de ninar, os balançam, fazendo de conta que estão embalando uma boneca. Nesse tipo de situação, a imitação desempenha um importante papel.
No plano da consciência corporal, nessa idade a criança começa a reconhecer a imagem do seu corpo, o que ocorre principalmente por meio das interações sociais que estabelece e das brincadeiras que faz diante do espelho. Nessas situações, ela aprende a reconhecer a sua identidade.
Assim sendo, nesta faixa etária, a prática educativa deve se organizar de forma que a criança desenvolva as seguintes capacidades:
● familiarizar-se com a imagem do próprio corpo;
● explorar as possibilidade de gestos e ritmos corporais para se expressar-se nas brincadeiras e nas demais situações de interação;
● deslocar-se com destreza progressiva no espaço ao andar, correr, pular etc., desenvolvendo atitude de confiança nas próprias capacidades motoras;
● explorar e utilizar os movimentos de preensão, encaixe, lançamento etc., para o uso de objetos diversos.
● participar de várias situações de comunicação oral, para interagir e expressar desejos, necessidades e sentimentos por meio da linguagem oral, contando suas vivências;
● interessar-se pela leitura de história;
● familiarizar-se aos poucos com a escrita por meio da participação em situações nas quais ela se faz necessária e do contato cotidiano com livros, revistas, histórias em quadrinhos, etc.;
● estabelecer aproximações e algumas noções matemáticas presentes em seu cotidiano, como contagem, relações espaciais, etc.,
● explorar o ambiente para que possa se relacionar com pessoas;
● estabelecer contato com pequenos animais, com plantas e com objetos diversos, manifestando curiosidade e interesse;
● ampliar o conhecimento de mundo manipulando diferentes objetos e materiais, explorando suas características, propriedades de manuseio e entrando em contato formas diversas de expressão artísticas.
CRIANÇAS DE QUATRO A CINCO ANOS (JARDIM – PRÉ)
Nessa faixa etária constata-se uma ampliação do repertório de gestos instrumentais, aos quais contam progressiva precisão. Atos que exigem coordenação de vários segmentos motores e os ajustes a objetos específicos, como recortar, colar, encaixar pequenas peças etc., sofisticam-se. Ao lado disso, permanece a tendência lúdica da motricidade, sendo muito comum que as crianças, durante a realização de uma atividade desviem a direção de seus gestos; é o caso, por exemplo, da criança que está recortando e que de repente põe-se a brincar com a tesoura, transformando-a num avião, numa espada, etc.
Gradativamente, o movimento começa a submeter-se ao controle voluntário, o que se reflete na capacidade de planejar e antecipar ações – ou seja, de pensar antes de agir e no desenvolvimento crescente de recursos de contenção motora. A possibilidade de planejar seu próprio movimento mostra-se presente nas conversas entre crianças em que uma narra a outra o que e como fará para realizar determinada ação: “Eu vou lá, vou pular assim e vou pegar tal coisa...”.
Os recursos de contenção motora, por sua vez, se traduzem no aumento do tempo que a criança consegue manter-se numa mesma posição. Vale destacar o enorme esforço que tal aprendizado exige da criança, já que, quando o corpo está parado, ocorre intensa atividade muscular para mantê-lo na mesma postura. Do ponto de vista da atividade muscular, os recursos de expressividade correspondem a variações do tônus (grau de tensão do músculo), que respondem também pelo equilíbrio e sustentação das posturas corporais.
O maior controle sobre a própria ação resulta em diminuição da impulsividade motora que predominava nos bebês.
É grande o volume de jogos e brincadeiras encontradas nas diversas culturas que envolvem complexas sequências motoras para sempre produzidas, propiciando conquistas no plano da coordenação e precisão do movimento.
Para esta fase, os objetivos estabelecidos para a faixa etária de quatro a seis anos deverão ser aprofundados e ampliados, garantindo-se, ainda, oportunidades para que as crianças sejam capazes de:
● Ampliar as possibilidades expressivas do próprio movimento, utilizando gestos diversos e o ritmo corporal nas suas brincadeiras, danças, jogos e demais situações de interação;
● Explorar diferentes movimentos, como força, velocidade, resistência e flexibilidade, conhecendo gradativamente os limites e as potencialidades de seu corpo;
● Controlar gradualmente o próprio movimento, aperfeiçoando seus recursos de deslocamento e ajustando suas habilidades motoras para utilização em jogos, brincadeiras, danças e demais situações;
● Utilizar os movimentos de preensão, encaixe, lançamento etc., para ampliar suas possibilidades de manuseio dos diferentes materiais e objetos;
● Apropriar progressivamente da imagem global de seu corpo, conhecendo e identificando seus segmentos e elementos e desenvolvendo cada vez mais uma atitude de interesse e cuidado com o próprio corpo;
● Conseguir correr, pular em um pé só, balançar, pegar uma bola, quicar a bola e fazer movimentos mais elaborados e exigentes;
• Conseguir desenhar objetos simples, cortar na linha, desenhar dentro do espaço delimitado, conseguir abotoar e também abrir e fechar zíper;
● Ampliar gradativamente suas possibilidades de comunicação e expressão, interessando-se por conhecer vários gêneros orais e escritos e participando de diversas situações sociais nas quais possa contar suas vivências, ouvir as de outras pessoas, elaborar e responder perguntas;
● Familiarizar-se com a escrita por meio de manuseio de livros, revistas e outros portadores de texto e da vivência de diversas situações nas quais seu uso se faça necessário;
● Escutar textos lidos, apreciando a leitura feita pelo professor;
● Interessar-se por escrever palavras e textos ainda que de forma não convencional;
● Reconhecer seu nome escrito, sabendo identificá-lo nas diversas situações do cotidiano;
● Escolher livro para ler e apreciar;
● Reconhecer e valorizar os números, as operações numéricas, as contagens orais e as noções espaciais como ferramentas necessárias no seu cotidiano;
● Comunicar idéias e hipóteses em situações problemas, utilizando a linguagem oral e a linguagem matemática;
● Ter confiança em suas próprias estratégias e na sua capacidade para lidar com situações matemáticas novas, utilizando seus conhecimentos prévios;
● Interessar-se e demonstrar interesse pelo mundo social e natural formulando perguntas e imaginando soluções para compreendê-lo;
● Estabelecer algumas relações entre o modo de vida de seu grupo social e de outros grupos;
● Estabelecer algumas relações entre o meio ambiente e as formas de vida que ali se estabelecem, valorizando a preservação das espécies e a qualidade da vida humana;
● Interessar-se pelas próprias produções e entrar em contato com outras produções, ampliando seu conhecimento do mundo e da cultura;
● Produzir trabalhos de arte, utilizando a linguagem do desenho, da pintura, da modelagem, da colagem, da construção, desenvolvendo o gosto, o cuidado e o respeito pelo processo de produção e criação.
Linguagem Oral e Escrita
A aprendizagem da linguagem oral e escrita é um dos elementos importantes para as crianças ampliarem suas possibilidades de inserção e participação das diversas práticas sociais. A Educação Infantil ao promover experiências significativas de aprendizagem da língua, por meio de um trabalho com a linguagem oral e escrita se constitui em um dos espaços de ampliação das capacidades de comunicação e expressão e de acesso ao mundo letrado pelas crianças. Esta ampliação está relacionada ao desenvolvimento gradativo das capacidades associadas às quatro competências linguísticas básicas: falar, escutar, ler e escrever.
Matemática
As crianças, desde o nascimento, estão imersas em um universo do qual os conhecimentos matemáticos são parte integrante. Essa vivencia favorece a elaboração de conceitos como o sistema de numeração medidas, espaço e formas, por meio de resolução de problemas, as crianças estarão desenvolvendo as habilidades de generalizar, analisar, sintetizar, inferir, formular hipóteses, deduzir, refletir e argumentar.
O trabalho com noções matemáticas na Educação Infantil atende as necessidades das próprias crianças de construírem conhecimentos que incidam nos mais variados domínios do pensamento.
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Natureza e Sociedade O mundo onde as crianças vivem se constitui em um conjunto de fenômenos naturais e sociais indissociáveis diante do qual elas se mostram curiosas e investigativas. As vivências sociais, as histórias de modos de vida, os lugares e o mundo natural são para as crianças parte de um todo integrado. |
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Movimento
O trabalho com o movimento contempla a multiplicidade de funções e manifestações, do ato motor, propiciando um amplo desenvolvimento de aspectos específicos da motricidade das crianças, abrangendo uma reflexão das posturas corporais implicadas nas atividades cotidianas, bem como atividades voltadas para ampliação da cultura corporais de cada criança.
Os conteúdos deverão priorizar o desenvolvimento das capacidades expressivas do movimento possibilitando a apropriação corporal pelas crianças de forma que possam agir com cada vez mais intencionalidade.
Musicalização
Compreende-se a música como linguagem e forma de conhecimento presente no cotidiano das crianças, por meio de brincadeiras, manifestações espontâneas, além de outras situações do convívio social.
A linguagem musical é excelente para o desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da autoestima e autoconhecimento, além de um meio de integração social.
A organização dos conteúdos para o trabalho de música na Educação Infantil deve acima de tudo, respeitar o nível de percepção e desenvolvimento (musical e global) nas crianças em cada fase. Os conteúdos deverão priorizar o desenvolvimento a comunicação e expressão por meio desta linguagem.
Artes Visuais
As Artes Visuais estão presentes no cotidiano da educação Infantil. Ao rabiscar e desenhar, ao usar materiais ao acaso, ao pintar a criança está se apropriando de experiências de reconhecimento de si mesma. A música, as Artes visuais são linguagens e, portanto uma das formas de expressão e comunicação humanas mais importantes, por isso justifica sua presença no contexto da educação de modo particular na Educação Infantil.
Isso significa que o pensamento, a sensibilidade, a imaginação, a percepção, a intuição e a cognição da criança devem ser trabalhadas de forma integrada, visando favorecer o desenvolvimento das capacidades criativas..
Identidade e Autonomia
A construção da identidade e da autonomia diz respeito ao conhecimento, desenvolvimento e uso dos recursos pessoais para fazer frente às diferentes situações da vida. Na Educação Infantil trabalhar a identidade é permitir que a criança entenda a ideia de distinção de uma marca de diferença entre as pessoas, a começar pelo nome, seguido de todas as características físicas, de modo de agir, de pensar, da sua própria história.
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