Vale a pena chamar a atenção dos pais para alguns componentes observados cada vez mais freqüentes, em crianças em idade de até 12 anos. Os especialistas explicam que a depressão infantil sempre existiu. Mas foi só em 1971, Durante um congresso de psiquiatria infantil em Estocolmo, na Suécia, que o problema foi reconhecido como doença. Daí em diante começou os estudos para desenvolver métodos de diagnósticos e tratamento. Cada vez mais os médicos estão convencidos da necessidade de valorizar o que as crianças dizem sentir. “Pediatras, pais e professores precisam estar atentos ás queixas de comportamentos da criança”.
Mas só olhar treinado de um especialista em psiquiatria infantil é capaz de fazer o diagnóstico da pressão em uma criança ou um adolescente. Isso porque sintomas da doença e traços que passam de manha são semelhantes. Além disso, cada criança manifesta a doença de um modo - uma tristeza excessiva e outra com agressividade.
Por ser um distúrbio com tantas nuances, até o especialista tem um desafio ao lidar com ela: não deixar passar casos sem diagnosticá-los nem achar doença onde não há. E entre tantas nuances, uma é essencial: distinguir entre sintoma passageiro e doença.
“A depressão enquanto sintoma é fundamental para o indivíduo crescer, faz parte da vida”, significa apenas que a pessoa não está bem e tem algo a superar.
Já a doença depressão atrapalha a rotina de vida do indivíduo.
Apesar de a incidência de depressão infantil permanecer estável no mundo todo, de acordo com estudos, os fatores de risco da doença aumentam a cada geração desde da década de 40. “Separação dos pais, violência urbana, excesso de atividades e falta de espaço para brincar estão entre os principais fatores”.
Mas nem todas as crianças expostas a tais condições têm depressão. A diferença está na genética de cada indivíduo.
“Ainda não se conhece o peso dos fatores genéticos para o desenvolvimento da depressão infantil, mas sabemos que eles têm influência sobre a doença”.
Filhos de pais com depressão tem mais risco de sofrer da doença.
Para todo mal, um remédio. Mas a pergunta que divide especialistas em psiquiatria infantil é: será que problema de comportamento, como a depressão, precisa ser tratado com medicamento? Nos Estados Unidos, especialistas estão preocupados com o aumento do número de crianças tratadas com drogas psicoativas, como os antidepressivos. Um levantamento realizado pela Universidade de Maryland constatou que 6,2% das crianças americanas usaram pelo menos um desses medicamentos em 1996. Em 1987, a porcentagem era 2,5%. Para Raul Gorayeb, chefe do Setor de Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os medicamentos são vistos como solução mágica para o sofrimento psíquico.
“Há remédio para tudo: para a criança que vai mal na escola, que sapateia e que faz xixi na cama”, critica. “As práticas de saúde deram lugar às de consumo de remédios”.
No tratamento da depressão infantil, o medicamento não é tudo. Psicoterapia para a criança e orientação psicológica para os pais são dois itens que precisam fazer parte do tratamento. “Quando um profissional de saúde mental quiser tratar só com remédio, desconfie dele”, orienta Gorayeb.
Rosana Ziemniak.
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